Ouça a chuva. Coragem

Carregando todo esse peso, na mochila, na cabeça, no enorme saco invisível de sentimentos, chego nesta quadra. Carregando com o corpo cansado, eu trinco. Vazo meus fluidos de vida.
Ouvindo o homem cantar narrativas de uma vida que parece tão mais simples, eu vinha no ônibus. Olhava a janela. Olhava a vida pela janela de vidro. A vida pela janela de vidro parece tão mais simples...
Aqui eu não sei o que fazer, nem com o tempo, nem comigo, nem com as coisas que me solicitam. Nem com minhas vontades.
"Meu nome é coragem" - queria escrever no meu corpo. Invocar a coragem como num ritual de magia, palavras de poder, "meu nome é coragem!" Mas só tenho canetas. Preciso tanto da coragem que tenho medo de serem tóxicas. Meu nome é medo.

Agonia.

Ouço a chuva.
Ouça a chuva.
Correr na chuva seria bom se eu não estivesse com sinusite.
Hoje chorei. Foi bom.

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