A concepção de um poema

A concepção de um poema é quase mágica. Difícil e fácil ao mesmo tempo. É o parto de uma gestação que não se dá conta até que a bolsa estoure.
Obviamente não posso falar da experiência de outros, só da minha, que é desse modo.
O poema vem como que do nada, e é sofrido. Eu quero escrever e, primeiro, as palavras não chegam. Quando aparecem, é como se tivessem estado ali o tempo inteiro.
Elas têm vida própria.
O poema é como um bebê, que é um organismo todo independente do corpo da mãe e decide a hora de nascer. Foi gerado e nutrido pelo corpo gestante involuntariamente. Veio de um acasalar de ideias com experiências.
O poema é um presente que recebo do meu inconsciente. Ele me habita e cuida bem da casa. Organiza, limpa, põe o lixo para fora. Ele é meu jeito de falar comigo mesma sobre o mundo, e de falar com o mundo sobre mim mesma. 
É meu mundo em códigos que muitas vezes nem eu entendo, mas que cumprem seu papel.
Às vezes, passo longos intervalos sem conseguir escrever nada. Outras, desato a escrever feito uma máquina de palavras. Mas, o tempo todo, a vida é poesia, eu sou poema, o mundo é canção. Portanto, além de escrever, eu canto.
Os poemas são meus guias, e, enquanto eu puder escrever, não preciso ter medo.

Comentários

Postagens mais visitadas deste blog

Entendendo a relação entre oralidade e escrita para escrever bons textos

A Definição Tripartida do Conhecimento e a Importância da Teoria do Conhecimento