Uma manhã fria de uma tarde ensolarada. Pássaros cantando para o vento da maré atordoada. Passos custosos e apressados de uma jovem quase embrulhada para presente em seu vestido azul, cor de cetim. Ao que passou aquele moço, de pele rosada, carregando uma pasta de couro. Parou - do nada –, sequer olhou para a frente ou para atrás ao se deparar com a jovem, e esta prosseguiu seu caminho sem devolver o olhar, bastando-se na malícia e regozijo, para dentro e para longe, para si e para o moço - para, também, outros moços - e nos sorrisos de terceiros. Os olhares e sorrisos se deram afastados das vistas do desejoso passageiro deste breve e mal sentido amor. O rapaz lamentou, sem lamentar, fluidos etéreos, e foi ao encontro de uma real amada. Nunca mais pensou na moça do vestido azul. O vestido? É provável que algum rapaz menos rosado o desembrulhou.
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